Nesta terça-feira (14), chegou ao meu conhecimento que um ato blasfemo ocorreu em minha cidade natal: segundo um estudante do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) do campus Palmeira dos Índios, alunos da instituição fizeram um pentagrama, acenderam velas e colocaram um Terço em seu centro. Como se o ato já não fosse revoltante o suficiente, o denunciante, Mauro Henrique, informou que os participantes eram incentivados a pisotear o sacramental, que nos foi dado a nós, homens, pela própria Santa Mãe de Deus. A blasfêmia teria sido cometida na sala do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (Nugedis), no próprio Ifal.
A instituição lançou uma nota oficial sobre o caso, e antes de dar continuidade ao texto, quero fazer algo que nem mesmo o Instituto Federal fez em sua publicação: repudiar o ocorrido. Algo tão tenebroso teria consequências gravíssimas a todos os envolvidos se este fosse um país que procura fazer jus ao nome “Terra de Santa Cruz”, que outrora recebeu, e que preza pela sua Padroeira, festejada no último domingo; contudo, tendo sido um teatrinho blasfemo ou um ritual satânico propriamente — ambas as coisas igualmente condenáveis —, acredito que a ação dos alunos não acarretará em nenhuma punição mais severa, que ensine aos envolvidos o respeito devido à fé verdadeira. Isso, é claro, supondo que terão punição de qualquer tipo.
Mais ainda do que desprezar o ato, faço questão de repudiar a própria nota emitida pela instituição de ensino, intitulada “Nota Oficial sobre Convivência, Diversidade e Respeito no IFAL – Campus Palmeira dos Índios”. Nome digno de seu conteúdo, que se apressa em isentar o tal Núcleo de Gênero falando apenas sobre os princípios do colégio público federal, mas sem repudiar o ocorrido, que ofende não apenas aos católicos, mas também e principalmente a Nossa Senhora e, por consequência, a Deus mesmo que é seu Filho.
Ah, mas a instituição é laica! Sim, é laica, mas esquecem-se os nossos contemporâneos de que a loucura laica é adotada apenas pelos homens, mas não por Deus.
O texto é ridículo até mesmo para os parâmetros atuais, que estão longe de ser razoáveis. Ouso dizer que um jovem com anos de doutrinação ideológica nas costas, e dotado de toda a estupidez que só a juventude sabe esbanjar sem um pingo de vergonha, saberia escrever uma nota melhor, com uma conjugação perfeita do verbo “repudiar”, se o pecado cometido fosse tema da redação do Enem.
Em dado momento, o texto institucional afirma que a Diretoria de Ensino já está tomando as providências cabíveis. Vejamos quais são…
A primeira providência mencionada é uma “análise detalhada” do ocorrido. O tópico, além de informar sobre o acolhimento da manifestação e a análise do contexto em que a situação se deu, garante que os envolvidos terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Espero que também haja garantia da devida punição.
A segunda providência é constituída pela realização de ações educativas, incluindo “atividades de formação, diálogos abertos e rodas de conversa sobre Ética, Cidadania e Respeito à Diversidade Religiosa/Cultural para toda a comunidade estudantil”. Curioso. Estudei no Ifal durante o meu ensino médio, saindo de lá por volta de 2016. Lembro-me que, naquela época, todos os alunos já haviam atingido a idade da razão. Talvez agora a instituição acolha crianças pequeninas, ainda ignorantes quanto ao significado e implicações de se desenhar um pentagrama e pisotear um Terço — se bem que as criancinhas teriam horror a algo tão macabro. Esse segundo tópico é risível até se perceber que a nota trata isso com seriedade.
A última ação que a instituição afirma que será tomada é a garantia da continuidade dos canais de escuta e diálogo, para que os membros da comunidade possam expressar “suas preocupações de maneira construtiva e dentro das normas regimentais”. Sim, caríssimo leitor, houve um ato blasfemo, uma “intolerância religiosa” — para usar o termo deles — e o que recebemos é a garantia de que a instituição continuará a ter canais de escuta e diálogo. Surpreender-me-ia se, depois dessa infelicíssima situação, esses canais tivessem um fim! Em breve deverá haver a revelação de que algumas dezenas de divãs foram adquiridos para que as preocupações possam ser expressadas pelos alunos de forma confortável.
Pergunto-me se haveria uma nota tão patética caso o alvo dos blasfemos fosse uma estátua de orixá de alguma dita religião afro ou mesmo uma bandeira com as cores do arco-íris. A pergunta é retórica, todos já sabemos a resposta.
Em meio a toda essa avalanche de inutilidade institucional, a nota reafirma o seu compromisso com “uma educação que não apenas tolera, mas que celebra a diversidade”. Padecendo da falta de reflexão diante dos problemas, o homem contemporâneo insiste em dizer que continuará fazendo exatamente aquilo que tem causado o caos que enfrenta.
Quão mais baixo se deverá descer para que se perceba que essas “liberdades” tão diversas e loucas que defendem, sem a reta razão para as guiar — ou condenar — continuarão a produzir uma insuportável cacofonia? O fundo do poço já ficou para trás há muito tempo, é preciso admitir, e nem assim se percebeu que a luz que vem de cima é melhor que a diversidade dos vermes que encontramos a nossa volta, na lama do mundo.
Ademais, a Diocese de Palmeira dos Índios se pronunciará, exigindo reparação pela blasfêmia? Gostaria de pensar que sim, mas deixemos de lado a ingenuidade: essa se trata de mais uma pergunta que todos já sabemos a resposta.
P.S.: Foi apenas agora, após concluir este artigo, que tomei conhecimento da “Nota Oficial sobre Intolerância Religiosa”, publicada pelo Ifal em seu site e perfil oficial no Instagram. Embora mais curto, o novo pronunciamento foi menos cômico do que o anterior publicado pelo campus Palmeira dos Índios e comentado ao longo deste artigo. Mais do que isso, a instituição finalmente aprendeu a conjugar o verbo “repudiar”. Anyway, a nota ainda é firmada sobre os mesmos princípios liberais criticados acima — não poderia ser diferente — e receio que o destino dos envolvidos ainda será o mesmo anteriormente cogitado, sem nenhuma punição realmente severa. Voltarei a tratar do assunto.
P.P.S.: Também chegou ao meu conhecimento um fato feliz: independente de qualquer inação diocesana, alunos do campus rezaram o Santo Terço em desagravo à blasfêmia cometida. Parabenizo-os e asseguro-lhes minhas orações, para que perseverem e cresçam cada dia mais na santa fé católica.


2 Comentários
Sempre me impressionou a incapacidade do povo brasileiro de indignar-se com qualquer assunto digno de indignação, nem mesmo os padres ou bispos reagem diante de tamanho absurdo, é o país da passividade.
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