O carismatismo, ou a insanidade de um filho bastardo

A igreja está lotada. Em pé, diante de todos, um homem “prega”, usando palavras carregadas de emoção. De fundo, alguém toca, em um violão, alguma música sentimentaloide já conhecida por todos daquele meio, estabelecendo o clima perfeito para que os mais frágeis fiquem suscetíveis às lágrimas. Em dado momento, as palavras compreensíveis e nauseantes do pregador são substituídas por sons incompreensíveis. Esses sons são chamados por alguns de “língua dos anjos”, embora eu creia que ela só pode ser entendida pelo tipo de ser angélico que ousou seguir Lúcifer e ficar contra Deus — e talvez nem eles entendam.

Passando em frente a paróquia à qual pertenço territorialmente, vejo a cena e não posso deixar de pensar no quão triste é que se permita cultos protestantes em uma igreja católica, diante do Sacrário, onde está, sob a aparência de Pão, o Fundador da única religião verdadeira: a Católica Apostólica Romana. Mas não, apesar de todos os indícios, não é nenhum grupo protestante que está ali, ao menos não de forma declarada: trata-se de um desses grupos carismáticos que, possivelmente sem que seus membros saibam, abandonam as tradições e costumes católicos provados, aprovados e abençoados através dos séculos, para adotar práticas que foram passadas — literalmente, devo dizer — por hereges protestantes, em local e data registrados e expostos publicamente, sem vergonha alguma, pelos sites carismáticos.

E tendo presenciado, mais de uma vez, o comportamento afetado de certos católicos que insistem em tomar para si os trejeitos daqueles que ofendem a Santa Mãe de Deus (refiro-me aos protestantes, não ao Cardeal Fernández e seus adeptos), não posso ter nada além de asco por tudo isso. Ora, o Espírito Santo é Deus mesmo, e sendo Deus o criador da Santa Romana Igreja, por que resolveria, em um ato claro de contradição, “soprar” nas falsas religiões, confirmando os hereges e infiéis em seus erros?

A evidente contradição e meu próprio julgamento, que tantas vezes já se mostrou precipitado e falho, talvez não sejam suficientes para comprovar o quão ruim e perigoso é esse neopentecostalismo autoproclamado “católico”, que, assim como a bênção aos pares homossexuais e a comunhão a casais em segunda união, também recebeu um tipo de aprovação eclesiástica ao longo dos últimos anos. Mas um erro continua sendo um erro, mesmo que a mais alta hierarquia proclame que não. O erro carismático é ainda mais evidente quando não se olha apenas para os últimos tempos, mas para a Tradição como um todo.

Dito isto, acredito ser salutar apresentar um pouco da história do carismatismo “católico”, conforme é apresentada, sem um pingo de vergonha, nos sites anteriormente mencionados.

União ilícita

A gastura tem início em agosto de 1966, quando dois professores da Universidade de Duquesne, no estado americano da Pensilvânia, em uma convenção nacional do Movimento Cursilhos de Cristandade (MCC), receberam cópias dos livros A Cruz e o Punhal, de autoria do pastor protestante David Wilkerson, e Eles Falam em Outras Línguas, do também herege John L. Sherril. Se leigos sensatos fossem, os professores sequer teriam lido as obras, mas, como veremos, a insensatez também está na raiz do carismatismo caótico, quero dizer, “católico”.

Após ficarem imbuídos de falsas ideias sobre o papel do Espírito Santo na vida dos crentes, os docentes foram levados a um ministro da Igreja Episcopal — o braço americano da Igreja Anglicana —, que os levou até Flo Dodge, uma de suas paroquianas. A herege episcopaliana possuía um grupo de oração e foi responsável por fazer os professores, até então católicos, receberem o “Batismo no Espírito Santo”. Eis aí a união ilícita que levou ao surgimento do carismatismo, um insano filho bastardo que, pretendendo ser católico, não faz nada além de propagar as loucuras dos pentecostais, desde o sentimentalismo aflorado até a visão dos dons do Espírito Santo de forma completamente alheia à Tradição e teologia católica.

Mas o que poderia haver de mal na situação envolvendo Dodge e os dois cursilhistas? Não é o diálogo ecumênico uma vontade da Igreja, como expressado por Paulo VI, de infeliz memória, e pelo Concílio Vaticano II em seu decreto Unitatis Redintegratio? Vejamos o que diz o Papa Pio XI, este, sim, de felicíssima memória, sobre o assunto em sua encíclica Mortalium Animos (grifos nossos):

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

Se participar de assembleias com os não católicos é proibido, o que se pode dizer de receber um “batismo no espírito” de uma herege? E mais ainda, a fala do Santo Padre realça a patente contradição: se participar de uma assembleia herética é conceder autoridade a uma falsa religião, o que se pode dizer daqueles que creem que Deus mesmo concedeu dons genuínos aos protestantes, apenas para que eles os transmitissem aos católicos?

A história, entretanto, não acaba por aí: ela piora e degringola para algo completamente irracional. Continuemos.

O retiro que fez se retirar o espírito católico

De acordo com os carismáticos, um retiro foi realizado em fevereiro de 1967, em Duquesne. Uma das participantes do evento, Patti Gallagher, afirmou que os dois professores “batizados no espírito” sugeriram, como preparação para o encontro, que os participantes lessem A Cruz e o Punhal e os quatro primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos. Perfeito! O que se pode falar de uma ideia tão genial?! E que frutos se pode esperar disso?

Como se recomendar uma obra protestante como preparação para um retiro não fosse ruim o suficiente, Gallagher também relata que uma protestante foi convidada a falar aos participantes do evento, em um sábado. Essa protestante, tudo leva a crer, era a mesma Flo Dodge que “batizou” os dois cursilhistas.

É preciso se atentar para o fato de que recomendar um livro de origem protestante e chamar uma herege para palestrar não são atos pequenos, apenas porque são “cristãos”. O protestantismo possui uma teologia completamente alheia à católica, e que, portanto, é falsa e não pode levar a outra coisa senão à condenação das almas. Extra Ecclesiam nulla salus.

O resultado do encontro não poderia ter sido diferente: na noite daquele mesmo sábado, na capela do Santíssimo Sacramento, Patti Gallagher e outras pessoas tiveram uma “experiência” do “batismo no Espírito Santo”, de forma que supostos dons começaram a se manifestar.

Ora, mas isso é fantástico! Um encontro que fede a heterodoxia, que consuma uma união ilícita entre membros da verdadeira Igreja de Cristo e uma falsa religião, é responsável por levar aos católicos esses “dons” do Diviníssimo Espírito Santo, que teriam desaparecido da Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo e voltado a se manifestar nos hereges apenas para passá-los novamente aos católicos.

Tal pensamento é diametralmente oposto ao da Igreja Católica e, por isso mesmo, de Nosso Senhor Jesus Cristo, como nos demonstra Pio XI em sua já mencionada carta (novamente, os grifos são nossos):

Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião?

Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessário tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si?

Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência d’Ele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo”.

A origem peremptoriamente má já deveria bastar para repelir todo católico do movimento carismático, afinal, “porventura colhem-se uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos? Assim toda a árvore boa dá bons frutos, e toda a árvore má dá maus frutos” (Mt. 7, 16-17).

Subjetivismo e livre interpretação

Os mais arraigados nesse neopentecostalismo, que se pretende “um novo Pentecostes” — como se o envio do Paráclito por Nosso Senhor não houvesse sido suficiente —, podem negar veementemente tudo o que foi dito até agora como se tudo fosse uma mera opinião pessoal — o que seria mais um traço de irracionalidade —, e alegar que é preciso ter uma genuína “experiência de Deus”, “experiência com Jesus”, “experiência da efusão do Espírito” ou qualquer coisa do gênero. Quanto a isto, não podem falar o mesmo os adeptos das falsas religiões? Um espírita pode alegar que ninguém pode dizer que o que ele faz é errado até que se participe de uma sessão espírita, por exemplo. É justamente esse o erro do modernista crente, condenado por São Pio X em sua famosa encíclica Pascendi Dominici Gregis.

Afinal, deveríamos os tradicionalistas ignorar o que nos ensinou a Santa Igreja através dos séculos para fechar os olhos por um momento, ao som de alguma música piegas, e recebermos a imposição de mãos de algum leigo qualquer? Conscientes da postura católica, qualquer resposta além de um “claro que não” seria sinal de insanidade.

Certamente se ouvirá dizer que uma verdadeira “experiência com Jesus” pode mudar a vida de muitos. Sim, mas ninguém nega que alguém pode deixar as drogas, a vida devassa ou um mau hábito após começar a frequentar uma seita herética; ou que alguém pode começar a fazer filantropia após virar maçom ou espírita; mas isso não torna a maçonaria, o espiritismo ou as seitas coisas boas. Da mesma forma, proporcionar algumas mudanças positivas em si mesmas não tornam o carismatismo algo bom, apenas mais perigoso, como um vinho envenenado, que tem boa aparência, mas pode matar ao primeiro gole.

O mal do carismatismo fica ainda mais claro quando se percebe que todo esse foco nas experiências pessoais o aproxima do pietismo, movimento derivado do luteranismo que dava aos sentimentos a primazia, em detrimento da razão, bem como das filosofias subjetivistas e gnósticas de Friedrich Schleiermacher, que concebia a religião como algo do coração e não do intelecto, ou de Henri Bergson, para quem a intuição seria uma verdadeira experiência mística.

Sendo bastante franco, acredito que poucas coisas conseguem a proeza de serem tão irritantes como alguém subjetivista, para quem tudo pode ser uma questão de gosto, de experiência pessoal, como se não houvessem verdades objetivas que devem guiar o ser humano. Tal modo de pensar é ainda mais odioso e execrável dentro da verdadeira religião, a católica, detentora da Sã Doutrina infalível de Nosso Senhor, onde não há espaço, no que se refere à fé, para inovações. Existem verdades objetivas que independem dos gostos (ou desgostos) pessoais de quem quer que seja — e nem mesmo o Santo Padre, o doce Cristo na terra, está isento dessa realidade.

Mas a coisa toda é ainda pior quando se considera que certos “dons” podem ser frutos de ações preternaturais, de origem demoníaca, ou então, na melhor das hipóteses, apenas completamente irracionais. A chamada “oração em línguas”, que também ocorre nas seitas pentecostais, é um exemplo claro disso, já que ninguém entende o que todos os “shalararara” e “siricantalanapraia” querem dizer. E se os verdadeiros dons do Espírito Santo são dados gratuitamente — sem que se peça, como fazem os carismáticos — e para a edificação dos demais fiéis, então falar ou “orar em línguas” se torna ainda mais evidentemente irracional, porque não edifica a ninguém.

E mais ainda: o Doutor Comum da Igreja, Santo Tomás de Aquino, em seu Comentário à 1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios, já esclareceu o que é o verdadeiro dom de línguas:

Quanto ao dom de línguas devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar pelo mundo a fé de Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos anunciassem a palavra de Deus, o Senhor deu-lhes o dom de línguas, para que a todos ensinassem, não de modo que falando uma só língua fossem entendidos por todos, como alguns dizem, mas sim, bem literalmente, de maneira que nas línguas dos diversos povos falassem as de todos. Pelo qual disse o Apóstolo: Dou graças a Deus porque falo as línguas de todos vós (1Cor. 14, 18). E em Atos 2, 4, se disse: falavam em várias línguas, etc. E na Igreja primitiva muitos alcançaram de Deus este dom.

Mais adiante, o Santo Tomás também explica que “também é falar em língua o falar de visões somente, sem explicá-las. De modo que toda locução não entendida, não explicada, qualquer que seja, é propriamente falar em língua”.

Venhamos e convenhamos: a explicação do Doutor Angélico, adotada por toda a Igreja ao longo da história, é bem mais racional e fundada na realidade do que resumir as coisas a uma simples enrolada de língua, gritos esporádicos ou coisas do gênero.

Os “gemidos inefáveis”, citados em Rom. 8, 26, também estão longe de serem uma justificativa minimamente plausível para o que fazem os neopentecostais, já que são as inspirações do Espírito Santo, que intercede por nós, como diz São Paulo, no versículo citado e no seguinte: “O Espírito ajuda também a nossa fraqueza, porque não sabemos o que havemos de pedir, como convém, mas o mesmo Espírito ora por nós com gemidos inefáveis. E o que perscruta os corações, sabe o que deseja o Espírito, porque ele pede segundo (a vontade de) Deus pelos santos”.

A interpretação completamente heterodoxa de certas passagens das Sagradas Escrituras, como forma de justificar seus erros, é outro traço protestante que os carismáticos carregam consigo. Já cheguei a ouvir pessoalmente, em uma situação infeliz, um “pregador” carismático interpretando alguma passagem quase como uma proibição ao consumo de bebidas alcoólicas. O mesmo nunca deve ter ouvido falar da bênção da cerveja, contida no antigo Rituale Romanum.

Há outras práticas que se destacam no meio carismático e que soam minimamente estranhas a qualquer um com o bom senso em dia, como os desmaios (ou “repousos no espírito”), que podem ser explicados por algum fenômeno psicológico (como o toque de Charcot); a majoritária necessidade de transformar missas em espetáculos que só não chegam a ser shows de rock porque estes ainda podem possuir algum tipo de qualidade e, fazendo as devidas exceções, normalmente não profanam lugares santos e nem o Sacrifício de Nosso Senhor; as expressões comumente usadas por protestantes; o sentimentalismo exacerbado, etc, etc. Tudo isso, obviamente, pode se resumir a um mau gosto extremo ou, no pior dos casos, a uma influência demoníaca.

Com tudo isso, não quero dizer que os carismáticos agem de má-fé, que serão condenados ao inferno ou que agem de conluio com o demônio. Não. Muitos buscam viver uma vida honesta, piedosa, e apenas permanecem no movimento por ignorância ou por algum conceito errado de gratidão, que, não raras vezes, é responsável pela permanência de muitos em erros diversos. Contribui em demasia para isto o pensamento de que “se tal grupo é da igreja, não é ruim”. Ledo engano. Vale lembrar que houve, na história, grupos formados por gente decente, com boas intenções e até com qualidades louváveis, mas que devido aos seus graves erros, foram condenados. Na história recente, podemos lembrar do movimento Sillon, cujos membros foram elogiados por São Pio X na encíclica Notre Charge Apostolique:

Porque amamos a valente juventude alistada sob a bandeira do Sillon, e a julgamos digna, por muitos aspectos, de elogio e de admiração. Amamos seus chefes, em que Nos é grato reconhecer almas elevadas, superiores às paixões vulgares e animadas do mais nobre entusiasmo pelo bem. Vós os vistes, Veneráveis Irmãos, penetrados de um sentimento muito vivo de fraternidade humana, ir ao encontro daqueles que trabalham e sofrem para os levantar, animados no seu devotamento pelo amor a Jesus Cristo e pela prática exemplar da religião.

Mas o mesmo documento escrito pelo Papa santo não foi uma carta de amor, mas de condenação. Apesar de todas as qualidades dos membros do Sillon, a gravidade dos seus defeitos era superior. Vejamos:

Houve um dia em que o Sillon começou a manifestar, para olhares clarividentes, tendências inquietantes. O Sillon se desorientava. Podia ser de outra forma? Seus fundadores, jovens, entusiastas e cheios de confiança em si mesmos, não estavam suficientemente armados de ciência histórica, de sã filosofia e de forte teologia para afrontar, sem perigo, os difíceis problemas sociais, para os quais tinham sido arrastados por sua atividade e por seu coração, e para se premunir, no terreno da doutrina e da obediência, contra as infiltrações liberais e protestantes.

Não podemos dizer o mesmo do movimento carismático, caro leitor? Quem poderá dizer que aqueles dois professores cursilhistas, em 1966, estavam “suficientemente armados de ciência histórica, de sã filosofia e de forte teologia”? A diferença aqui é que, enquanto o Sillon parece ter se degenerado com o tempo, o carismatismo não sofreu “infiltrações liberais e protestantes”, mas foi já concebido com fortes veias protestantes e, portanto, liberais, como demonstrado anteriormente.

Por fim, vale ainda dizer: o carismatismo apenas serve aos ideais modernistas e ajuda a fragmentar ainda mais o orbe católico. Os modos de falar e agir de seus integrantes, bem como as manifestações do espírito — seja ele qual for — são apenas consequências de um modo de ver e viver a fé que, quando exposto para comparação diante da história, mais se assemelha a um Lutero do que aos santos, que combateram o bom combate e guardaram a fé (2Tim. 4, 7).

Desta forma, não nos enganemos, caro leitor: o carismatismo não é católico, pois a fé católica é íntegra; não é apenas ruim, é insano, pois há a insanidade ecumênica em sua raiz e, não seria de outra forma, em todo o seu corpo. Diante disso tudo, o que mais posso dizer? Talvez seja melhor considerar desmaios e palpitações como causas para se ir ao médico e não para alegar que se teve uma “experiência” com Deus. E se após todas as heterodoxias apresentadas ainda se ergue o pensamento de que “enquanto o magistério não se pronunciar, não há problema”, creio não ser temerário afirmar que o que ocorre é uma insensatez inabalável, um apego teimoso aos próprios gostos e uma obstinação no erro dignos de qualquer heresiarca do século XVI — ou de católicos dos séculos XX e XXI.

Deixe uma resposta